E&S - Beat Port

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Beatport é a nova mania dos DJs da era digital
Com menos de 3 anos em atividade, site pretende entrar em 2007 batendo a cifra de 3 milhões de músicas comercializadas.

Para os DJs, é tipo a Porta da Esperança. Para os selos, uma maneira nova de chegar onde o povo está. Para os produtores, uma forma extra de espalhar suas músicas e ainda receber algum trocado.

Bem-vindo ao maravilhoso mundo do Beatport.com. Com pouco mais de dois anos de vida, este site de venda de música pela internet, especializado em batidas eletrônicas, ostenta números astronômicos, que o fizeram entrar pra lista dos maiores vendedores de música do mundo.

Sabe aquela historinha de "o produto nasceu para preencher uma demanda da sociedade", blábláblá? No caso do Beatport foi bem isso que aconteceu, conforme conta um de seus fundadores, o promoter americano Brad Roulier. "O Beatport foi pensado originalmente para resolver o problema de DJs que precisavam de música digitalizada para tocar usando softwares como o Final Scratch", diz Roulier, um ruivo sardento com pinta de aluno do fundão da classe.

Quando o conheci, durante a South American Music Conference, em Buenos Aires, em outubro passado, ele e seu sócio estavam comemorando a marca de 1 milhão de downloads. Considerando-se que cada faixa é vendida a um preço médio de US$ 1.99, o "Portal das Batidas" havia movimentado até aquele momento quase US$ 2 milhões, nada mal para um business de estrutura espartana como o Beatport.

Roulier contou que a primeira idéia era criar um serviço de digitalização de vinis enviados por DJs. "Os DJs enviariam seus discos pelo correio, e nós faríamos o trabalho de digitalizá-los (transformá-los em arquivo digital)". A necessidade era legítima. Os discos em vinil levam tempo para serem transferidos para o computador, já que o trabalho tem que ser feito em tempo real. Mas esta história de enviar vinis por correio não era nada prática, né?

"Depois de refinar a idéia, pensamos que seria muito mais legal criar uma loja virtual onde os DJs pudessem ouvir e comprar as músicas diretamente", lembra Roulier. Assim nascia o primeiro piloto do Beatport.com, em fevereiro de 2003.

Um ano depois, em janeiro de 2004, o Beatport 1.0 foi lançado com 79 selos a bordo. O crescimento, neste período, se deu num letárgico ritmo de tartaruga. Em setembro daquele ano, oito meses depois da estréia, o site contava com apenas sete associados.



Foi só depois de aparecer como patrocinador de alguns DJs (Richie Hawtin, John Acquaviva) que o Beatport começou a ganhar notoriedade. Daí em diante, foi tudo muito rápido. "As parcerias que firmamos com DJs e com algumas empresas de tecnologia, como a Native Instruments, foram fundamentais para a nossa popularidade", diz o ex-promoter de Denver que agora divide seu tempo entre os quatro escritórios (sim, são quatro!) do Beatport espalhados por Denver (sede), Berlim, Londres e Nova York.

A segunda versão do site estreou em janeiro de 2005. Mais fácil de usar e de navegação simplificada, o Beatport.com 2.0 já contava àquela altura com 100 mil músicas digitalizadas fornecidas por 2.700 selos do mundo todo. Tornou-se, assim, a maior loja de música independente do planeta.
As grandes gravadoras fizeram cara feia pro projeto, é claro. "Elas queriam DRM (Digital Rights Management, tecnologia que permite controlar acessos aos arquivos), e isso seria terrível para nós. Qualquer tocador de música minimamente decente rejeita arquivos restritos. É um problema. Por isso, não carregamos conteúdo de nenhuma das cinco grandes gravadoras", explica.

Se o Beatport nasceu para "alimentar" os DJs da era digital, não estaria ajudando a botar a pá de cal sobre os selos que continuam comercializando vinis e CDs? "De jeito nenhum. Somos apenas uma nova forma de permitir acesso à música. Não acho que o vinil nem o CD estejam com os dias contados", aposta Roulier. Bem... esta longa e tortuosa discussão a gente deixa pra outra hora, OK?

Com planos de entrar em 2007 batendo a marca das 3 milhões de músicas vendidas, o Beatport.com já virou vício pra muita gente. Tem até quem tenha se empolgado em virar DJ graças à ferramenta.

Segundo o produtor cultural Coy Freitas, o site é "um prazer que pode sair caro e uma forma deliciosa de pesquisar. Um artista puxa um selo que traz outro artista, que traz um remix e a coisa não tem fim". Ele diz que virou um consumidor compulsivo. "E, com tanta novidade no HD do computador e na cabeça, comecei a tocar novamente, depois de dez anos parado, com meus CDs repletos de coisas boas", conta o novo DJ, que se interessa por minimal e electro. "Entro no Beatport pelo menos quatro ou cinco vezes por semana, e vou selecionando as músicas que quero. Daí espero a melhor desculpa pra comprar - uma festinha aqui, outra ali. Devo ser um dos clientes mais ativos hoje em dia, neste mês comprei mais de 70 músicas. E acho que esta tem sido a minha média....", confessa o viciado assumido.

Não tem aquele papo de que traficante primeiro dá a droga, pra depois passar a cobrar por ela? O Beatport também usou deste expediente, mesmo que sem querer. Quase toda semana, o site foca num festival (ou parada, ou festa, ou selo) e distribui 10 músicas grátis. Esta semana, estão no ar 10 faixas de artistas do festival espanhol Monegros. Tem músicas grátis, em qualidade de CD, de produtores como Marc Houle, Richie Hawtin, Apparat, Valentino Kanzyani, Alexander Kowalski... Fala se não é pra ficar viciado?

Fonte De Pesquisa: Folha RRaulr
Edição: William Souza

 

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